Lazer
Na forma
mais comum de entender o Lazer é um conjunto de ocupações às quais o
indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para
divertir-se, recrear-se e entreter-se, ou ainda, para desenvolver sua
informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou
sua livre capacidade criadora após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações
profissionais, familiares e sociais." (Dumazedier, 1976, apud Oleias).
A palavra lazer deriva do latim licere, ou seja, "ser
lícito", "ser permitido".
Poderíamos
definir lazer, como uma forma de você utilizar seu tempo dedicando-se a uma
atividade que você goste de fazer, o que não significa que seja sempre uma
mesma atividade. Esta atividade pode ser uma entre tantas outras.
No campo
da educação pode-se identificar as atividades de lazer como ações integradoras
dos «Quatro pilares da educação», propostos por Delors:
·
Aprender a conhecer e a pensar;
·
Aprender a fazer;
·
Aprender a viver juntos;
·
aprender a viver com os outros;
·
Aprender a ser.
Conceito de lazer
Dumazedier (2001) afirma que lazer é um conjunto de ocupações ás
quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja
divertir-se, recrear-se e entreter-se, ou ainda para desenvolver sua informação
ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre
capacidade criadora após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações
profissionais, familiares e sociais.
O lazer, portanto, opõe-se a obrigações. Segundo Dumazedier
(2001, p.52), “não subsiste qualquer dúvida de serem classificadas como opostas
ao lazer”, as atividades seguintes:
- O trabalho profissional;
- O trabalho suplementar ou trabalho de complementação;
- Os trabalhos domésticos (arrumação da casa, a parte
diretamente utilitária da criação de animais destinados à alimentação, da
bricolagem e da jardinagem).Atividades de manutenção (as refeições, os cuidados
higiênicos como corpo, o sono).As atividades rituais ou ligadas ao cerimonial,
resultantes de uma obrigação familiar, social ou espiritual (visitas oficiais,
aniversários, reuniões políticas, ofícios religiosos).As atividades ligadas aos
estudos interessados (círculos e cursos preparatórios de um exame escolar ou
profissional).
Segundo Dumazedier (2001), o lazer se exerce no tempo à margem
das obrigações sociais. Esse tempo varia de acordo com a forma e intensidade de
engajamento do indivíduo nas obrigações. Assim temos:
· Tempo liberado - tempo que
resta após o cumprimento das obrigações profissionais;
· Tempo livre - tempo que resta
após todo o tipo de obrigações;
· Tempo inocupado - tempo
daqueles que não têm ocupações profissionais.
Por outro lado, o lazer possui um conjunto de propriedades e
características, as quais preencherão uma série de funções. Quando nem todas as
características estão presentes, acontece aquilo que Dumazedier (2001) chamou
de similazer, ou seja, uma atividade mista onde o lazer se mistura a uma
obrigação institucional. Isso acontece, por exemplo, quando um praticante de
jardinagem planta também algumas verduras para a sua alimentação; quando se usa
uma habilidade manual para fazer reparos nos equipamentos domésticos, etc.
Marcellino (1996) afirma que não existe um consenso sobre o que
seja lazer entre os estudiosos do assunto, ou entre os técnicos que atuam nessa
área, e muito menos em nível da população em geral. O fato, que traz
dificuldades para abordagens do tema, programação das atividades e sua difusão,
indica também que se trata de um termo carregado de preferências e juízos de
valor.
O autor coloca que as diferenças acentuadas quanto ao
significado da palavra lazer podem ser observadas até mesmo nas conversas
informais. Grande parte da população ainda associa o lazer às atividades
recreativas, ou a eventos de massa, talvez pelo fato de que a palavra tenha
sido largamente utilizada nas promoções de instituições com atuação dirigida ao
grande publico, assim tudo isso contribuiu para que se acabe tendo uma visão
imparcial e limitada das atividades de lazer, restringindo o seu âmbito e
dificultando o seu entretenimento. Marcellino (1996) entende que além do descanso
e do divertimento há outra possibilidade de ocorrer o lazer, e, normalmente,
não é perceptível. Trata-se do desenvolvimento pessoal e social que o lazer
enseja. No teatro, no turismo, na festa, etc., estão presentes oportunidadesprivilegiadas,
porque espontaneamente, de tomada de contato, percepção e reflexão sobre as
pessoas e as realidades nas quais estão inseridas.
Assim Marcellino (1996) afirma que não é possível se entender o
lazer isoladamente, ele influencia e é influenciado por outras áreas de atuação
numa relação dinâmica.
Marcellino (1996), coloca que a admissão da importância do
lazer na vida moderna significa considerá-lo um tempo privilegiado para a
vivência de valores que contribuam para mudanças de ordem moral e cultural,
tais mudanças são necessárias para a implantação de uma nova ordem social. O
movimento ecológico, de jovens, de mulheres, tem alicerçado muito seus valores
com base na vivência e na reivindicação pela vivência do tempo de lazer.
Entre os autores que se dedicam ao
estudo do lazer, podem ser identificadas duas linhas de pensamentos quanto à
sua conceituação. Uma delas caracteriza-se pela ênfase no aspecto atitude –
isto é, lazer como estilo de vida – e a outra pela ênfase no aspecto tempo,
aquele liberado das obrigações do trabalho, ou livres das demais obrigações.
(STOPPA, 1999).
[...] conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se
de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se
ou ainda para desenvolver sua formação desinteressada, sua participação social
voluntária, ou sua livre capacidade criadora, após livrar-se ou desembaraçar-se
das obrigações profissionais, familiares e sociais.(DUMAZEDIER, 1973, p.34).
Stoppa (1999) fala que alguns outros
autores fazem críticas à referida definição, considerando que a compreensão de
Dumazedier sobre lazer é insatisfatória. Stoppa (1999 apud FALEIROS, 1980), em
seu texto “repensando o lazer”, onde ela tece várias considerações importantes,
afirma que Dumazedier, ao tentar esgotar aquilo que considera lazer, não
consegue apanhar a dinâmica social que se encontra nas manifestações das atividades
de lazer. Para a autora, a explicação de Dumazedier sobre o lazer se faz por
meio da estrutura lógica do funcionalismo, que, segundo ela, é um instrumento
que ao mesmo tempo em que satisfaz necessidades, cria outra.


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